Wednesday, June 23, 2010
Sunday, June 20, 2010
Thursday, June 17, 2010
Wednesday, May 12, 2010
[Cristal]
Parece que foi ontem,
Que brincava com o cristal.
Era criança e todo aquele brilho
Era óptimo para brincar.
Continuei criança
E reparei que as minhas mãos iam calejando,
Eu ia mudando e brincando com ele,
E o cristal sempre igual, belo, decidido.
Cresci criança,
E o cristal não mais me parecia brinquedo,
Do cristal algo mais ia sobressaindo.
Reparei que com o belo não se brinca,
Estima-se e guarda-se
Mas quando reparei já ele era metal decidido e conformado.
E eu criança ainda era.
Fresta de Luz
Que brincava com o cristal.
Era criança e todo aquele brilho
Era óptimo para brincar.
Continuei criança
E reparei que as minhas mãos iam calejando,
Eu ia mudando e brincando com ele,
E o cristal sempre igual, belo, decidido.
Cresci criança,
E o cristal não mais me parecia brinquedo,
Do cristal algo mais ia sobressaindo.
Reparei que com o belo não se brinca,
Estima-se e guarda-se
Mas quando reparei já ele era metal decidido e conformado.
E eu criança ainda era.
Fresta de Luz
Saturday, May 08, 2010
É o sonho
Cristão como gema de ovo
Branco como Corvo
Negro como pomba da paz
Sereno como berros em Alcatraz
Perdido em tempos,
Perdido em galáxias,
Engulo momentos
E cuspo podres acácias.
Via rápida cerebral
Com hipersónicos neurónios
Construção verbal
De seres homónimos
Vertente linguística
De Construção inerte
Língua que não petisca
Coração que derrete.
Maricas
Como abre caricas
Rasgo folhas de Outono
Em banho morno.
Desconstrução de um ser gigante
Provoca confusão
Num verso ignorante
De pouco compreensão…
Desperto cheio de sono,
Com uma noite passada
Num caleidoscópio de sonho.
Branco como Corvo
Negro como pomba da paz
Sereno como berros em Alcatraz
Perdido em tempos,
Perdido em galáxias,
Engulo momentos
E cuspo podres acácias.
Via rápida cerebral
Com hipersónicos neurónios
Construção verbal
De seres homónimos
Vertente linguística
De Construção inerte
Língua que não petisca
Coração que derrete.
Maricas
Como abre caricas
Rasgo folhas de Outono
Em banho morno.
Desconstrução de um ser gigante
Provoca confusão
Num verso ignorante
De pouco compreensão…
Desperto cheio de sono,
Com uma noite passada
Num caleidoscópio de sonho.
252525
Parte-me a tromba como cachaça,
Abre-me as virilhas como sorriso ácido,
Arrasta-me pela tua merda esquizofrénica.
Sempre me acompanhaste,
Sempre escondido,
Mas tão vivamente presente.
Aquele vulto sem sombra,
Cobertura que não aquece,
Relógio que não diz horas.
Mas força invisível
Que rege o Universo,
O tempo em ti perde-se
E o calor em ti desvanece.
És aquela criatura que nem ser é,
Ser humano sem comunicação,
Ser vivo sem vida.
Fresta de Luz
Abre-me as virilhas como sorriso ácido,
Arrasta-me pela tua merda esquizofrénica.
Sempre me acompanhaste,
Sempre escondido,
Mas tão vivamente presente.
Aquele vulto sem sombra,
Cobertura que não aquece,
Relógio que não diz horas.
Mas força invisível
Que rege o Universo,
O tempo em ti perde-se
E o calor em ti desvanece.
És aquela criatura que nem ser é,
Ser humano sem comunicação,
Ser vivo sem vida.
Fresta de Luz
Sunday, March 14, 2010
Toq
É com estranheza que te toco
Como se de algo novo fosse
Intimidante, suave, belo.
Toco e quero tocar mais,
E quanto mais toco mais estranheza tenho,
Mais vontade tenho.
Adoro o tocar que é,
Adoro a estranheza que é
E adoro a vontade que tenho.
Ter os meus dedos que deslizam como pianista por ti.
Para sentir aquele toque e descobrir mais,
Um piano de peças sem fim,
Uma música em que a pauta é o universo,
Um compasso que se divide em tempos sem lógica,
Um espaço que não ocupa, preenche.
É esse toque que quero,
A esses todos ritmos
A essas horas em que tu te abres e respiras
E cantas a música da vibração inaudível,
Despejas aquele suor seco em mim
E aquela fervura de criança que ainda não conhece.
Toco e gosto de tocar em algo que sempre me tocou.
André Ventura
15 de Março de 2010
Como se de algo novo fosse
Intimidante, suave, belo.
Toco e quero tocar mais,
E quanto mais toco mais estranheza tenho,
Mais vontade tenho.
Adoro o tocar que é,
Adoro a estranheza que é
E adoro a vontade que tenho.
Ter os meus dedos que deslizam como pianista por ti.
Para sentir aquele toque e descobrir mais,
Um piano de peças sem fim,
Uma música em que a pauta é o universo,
Um compasso que se divide em tempos sem lógica,
Um espaço que não ocupa, preenche.
É esse toque que quero,
A esses todos ritmos
A essas horas em que tu te abres e respiras
E cantas a música da vibração inaudível,
Despejas aquele suor seco em mim
E aquela fervura de criança que ainda não conhece.
Toco e gosto de tocar em algo que sempre me tocou.
André Ventura
15 de Março de 2010
0072
Como uma valsa desço pelo Universo,
De braço dado.
O teu conforto,
Os teus braços de estrelas.
Aos saltos de planeta em planeta,
Viajamos e
Uma longa infinitude ainda falta.
Milhares de planetas, de histórias,
De sítios e paisagens.
Paisagens que quando contornadas
Pelo teu corpo,
Pela tua face,
O brilho dos teus olhos,
O fascínio dos teus lábios,
A vida dos teus cabelo,
Se tornam em mais multiplicações do próprio Universo.
Paisagens que me fazem vibrar de sede.
E com a tua voz,
Um canto que surge no Universo silencioso,
Uma voz que faz vibrar astros de emoção.
És uma sensação que me multiplica em Universos.
Uma sensação que me faz.
4 de Maio de 2009
De braço dado.
O teu conforto,
Os teus braços de estrelas.
Aos saltos de planeta em planeta,
Viajamos e
Uma longa infinitude ainda falta.
Milhares de planetas, de histórias,
De sítios e paisagens.
Paisagens que quando contornadas
Pelo teu corpo,
Pela tua face,
O brilho dos teus olhos,
O fascínio dos teus lábios,
A vida dos teus cabelo,
Se tornam em mais multiplicações do próprio Universo.
Paisagens que me fazem vibrar de sede.
E com a tua voz,
Um canto que surge no Universo silencioso,
Uma voz que faz vibrar astros de emoção.
És uma sensação que me multiplica em Universos.
Uma sensação que me faz.
4 de Maio de 2009
Saturday, March 13, 2010
)))
Parece mentira
De vez em quando basta-me abrir a boca
E bebo ouro líquido.
Vem daquela estátua
Que de noite flutua sobre o colchão
E de dia brilha! E muito!
Imóvel não é,
Mas é estátua porque é sólida,
Definida
E sabe definir-me,
E sabe tocar-me
E sabe rir-me
E sabe…
E sabe..
Tanta coisa!
Ai estátua de berlinde,
Adormeço sempre com a tua imagem ao lado.
André Ventura
14 de Março de 2010
De vez em quando basta-me abrir a boca
E bebo ouro líquido.
Vem daquela estátua
Que de noite flutua sobre o colchão
E de dia brilha! E muito!
Imóvel não é,
Mas é estátua porque é sólida,
Definida
E sabe definir-me,
E sabe tocar-me
E sabe rir-me
E sabe…
E sabe..
Tanta coisa!
Ai estátua de berlinde,
Adormeço sempre com a tua imagem ao lado.
André Ventura
14 de Março de 2010
BLERK DE RANHO!
Blerk !! Blerk! Blurk! Blark! Blork! Brouummm!
Estas correntes enferrujadas apertam-me o pescoço!
Entalam-me as peles e fazem os grandes maciços
De pus explodir em múltiplas direcções.
Não consigo falar
Só me sai ranho merdoso de cobardolas,
Ou gigantes coágulos de sangue de cão.
Ah! E tenho imensa vergonha desta merda,
Sou eu que aperto as correntes
É de livro vontade que tenho a boca a saber a merda,
O coração mirrado demais,
E uma vida plena.
Parece que é fetiche
Mas não.
Parece que sou passado dos cornos
Mas não.
As palavras é que doem mais que tudo isto.
Fresta deLuz
14 de Março de 2010
Estas correntes enferrujadas apertam-me o pescoço!
Entalam-me as peles e fazem os grandes maciços
De pus explodir em múltiplas direcções.
Não consigo falar
Só me sai ranho merdoso de cobardolas,
Ou gigantes coágulos de sangue de cão.
Ah! E tenho imensa vergonha desta merda,
Sou eu que aperto as correntes
É de livro vontade que tenho a boca a saber a merda,
O coração mirrado demais,
E uma vida plena.
Parece que é fetiche
Mas não.
Parece que sou passado dos cornos
Mas não.
As palavras é que doem mais que tudo isto.
Fresta deLuz
14 de Março de 2010
Tuesday, January 05, 2010
Estátua de homem que não nasceu.
Como aquela esfinge com musgo,
Aquela gota se ser vivo inquebrável,
Parado, imóvel, de Pedra.
Como eu de baba imaculada,
Parado, imóvel,
Aquela gota de ser vivo domesticável.
Sem me mexer,
Num labirinto em cascavel,
Numa vitória sem adversário.
Um labirinto onde só eu ganho,
Onde só eu morro,
E onde só eu sobrevivo.
Parado, imóvel,
Inerte ao murro,
Inerte ao toque,
Estátua de madeira,
Estátua de barro,
Estátua de homem que não nasceu.
Aquela gota se ser vivo inquebrável,
Parado, imóvel, de Pedra.
Como eu de baba imaculada,
Parado, imóvel,
Aquela gota de ser vivo domesticável.
Sem me mexer,
Num labirinto em cascavel,
Numa vitória sem adversário.
Um labirinto onde só eu ganho,
Onde só eu morro,
E onde só eu sobrevivo.
Parado, imóvel,
Inerte ao murro,
Inerte ao toque,
Estátua de madeira,
Estátua de barro,
Estátua de homem que não nasceu.
Monday, December 07, 2009
Vai! Vou!
Corre, Corro,
Pedala, pedalo!
Olha a planície pela frente,
Salta agora!
Tinhas vidros debaixo dos pés,
Corre mais!
O tempo escoa depressa
E aquele brilhante não espera por muito.
Os teus/meus pés tremem de nervos,
As solas parecem água,
E as tuas/minhas mãos balanceiam descordenadas.
Mas não desistas,
Só quando o relógio de areia explodir de cheio.
Cada vez mais perto,
Aquele brilhante,
Aquela…
Que será aquela luz?
Os ,meus olhos tremem e caio,
Esbarro cas trombas no chão de terra,
Sorrio de dentes castanhos e levanto-me,
Estou perto!
Agarrei pá!
Foi desta,
Agora posso seguir caminho com esse brilho contigo,
Mas não podemos tropeçar
ainda sujamos aquele brilho,
Continuaremos com calma com essa luz a nosso lado!
Quero seguir planície e montanhas.
E eu quero que queiras seguir também.
Fresta de Luz
8/12/2009
Pedala, pedalo!
Olha a planície pela frente,
Salta agora!
Tinhas vidros debaixo dos pés,
Corre mais!
O tempo escoa depressa
E aquele brilhante não espera por muito.
Os teus/meus pés tremem de nervos,
As solas parecem água,
E as tuas/minhas mãos balanceiam descordenadas.
Mas não desistas,
Só quando o relógio de areia explodir de cheio.
Cada vez mais perto,
Aquele brilhante,
Aquela…
Que será aquela luz?
Os ,meus olhos tremem e caio,
Esbarro cas trombas no chão de terra,
Sorrio de dentes castanhos e levanto-me,
Estou perto!
Agarrei pá!
Foi desta,
Agora posso seguir caminho com esse brilho contigo,
Mas não podemos tropeçar
ainda sujamos aquele brilho,
Continuaremos com calma com essa luz a nosso lado!
Quero seguir planície e montanhas.
E eu quero que queiras seguir também.
Fresta de Luz
8/12/2009
Monday, November 30, 2009
Pede!
Pede…
Gostava que me dissesses pede!
Ao ouvido ou
Em alto e bom som…
E eu pedia-te,
Aquilo que sempre quis,
Aquela liberdade que me dás,
Aquele esquecimento dos outros,
Aquela alegria parva e estúpida.
Pede-me para pedir,
E eu pedirte-ei sem mentir.
Fresta de Luz
1 de Dezembro, 2009
Gostava que me dissesses pede!
Ao ouvido ou
Em alto e bom som…
E eu pedia-te,
Aquilo que sempre quis,
Aquela liberdade que me dás,
Aquele esquecimento dos outros,
Aquela alegria parva e estúpida.
Pede-me para pedir,
E eu pedirte-ei sem mentir.
Fresta de Luz
1 de Dezembro, 2009
Monday, October 19, 2009
Q sa FODA!
Este interior que me rebenta,
Esta mancha que me mata.
A estupidez que me fode!
Gostava de viver insensível…
Mas sou demasiado sensível.
Às Moscas que me estorvam…
Aos animais que me enrabam,
Às fêmeas que me fodem pela traseira,
Ao Mundo que não presta…
["Não queria nascer diferente,
Queria era um mundo diferente."]
Esse homem que me estorva,
Essa cara que me mata,
E esse teu sorriso inoportuno.
Ai como é estúpida a vida,
Mais homo do que eu pensei,
Espero bem que te divirtas.
Até nunca Fresta IGNÓBIL!
Esta mancha que me mata.
A estupidez que me fode!
Gostava de viver insensível…
Mas sou demasiado sensível.
Às Moscas que me estorvam…
Aos animais que me enrabam,
Às fêmeas que me fodem pela traseira,
Ao Mundo que não presta…
["Não queria nascer diferente,
Queria era um mundo diferente."]
Esse homem que me estorva,
Essa cara que me mata,
E esse teu sorriso inoportuno.
Ai como é estúpida a vida,
Mais homo do que eu pensei,
Espero bem que te divirtas.
Até nunca Fresta IGNÓBIL!
Tuesday, September 22, 2009
Assim é que é!
Penso que estou louco
Parece que caí de uma ravina
Que caí como gota de água.
Renasci em planta, [Carnívora e Herbívora, Poliglota e Analfabeta]
Mas planta de raiz bem formada e tronco aos Esses.
Era uma alcoólica de primeira,
Na tasca mandava abaixo monstros bebedouros de 6 metros,
Bastava acreditar nos meus super poderes para beber.
Ah que se foda!
Parece que caí de uma ravina
Que caí como gota de água.
Renasci em planta, [Carnívora e Herbívora, Poliglota e Analfabeta]
Mas planta de raiz bem formada e tronco aos Esses.
Era uma alcoólica de primeira,
Na tasca mandava abaixo monstros bebedouros de 6 metros,
Bastava acreditar nos meus super poderes para beber.
Ah que se foda!
Sunday, May 03, 2009
PALAVREADOSINFÓNICO
Basta de ternura,
Basta de ódio,
Basta de cicatrizes,
De terra nas feridas.
Cuspo palavras que me arranham a garganta,
Palavras que rasgam a pele como folhas de papel,
Como lamina enferrujada.
Escrevo-as para que se vejam,
Para que não sejam armadilhas.
Para que escondam o seu tétano.
Que escondam a seiva derramada.
Que se abram as portas,
Que me deixem entrar,
Nesse mundo em que palavras não matam.
Basta de ódio,
Basta de cicatrizes,
De terra nas feridas.
Cuspo palavras que me arranham a garganta,
Palavras que rasgam a pele como folhas de papel,
Como lamina enferrujada.
Escrevo-as para que se vejam,
Para que não sejam armadilhas.
Para que escondam o seu tétano.
Que escondam a seiva derramada.
Que se abram as portas,
Que me deixem entrar,
Nesse mundo em que palavras não matam.
Sunday, October 26, 2008
Retrato de alguém como nós (II)
Primeira PARTE
Abandonou o bar e continuou sossegadamente pela rua, com a mão ensanguentada. Colar sorria, inspirava o ar fresco da noite ainda com resquícios de fumo dos carros do final da noite. A cabeça dele era como um vazio onde só apenas a imagem das estátuas no bar a preenchia. Humanos que ficam estagnados, que ficam sem pensar, sem se mover, de olhos arregalados, boca aberta, garganta inchada e tão estúpidos quanto um galinha.
Dava-lhe vontade de rir tudo isto, e mais vontade daria se visse que no bar ainda nenhuma reacção ao homicídio tinha sido tomada, ainda tudo estava na mesma, nem um dedo tinha mudado de posição, nem uma gota de suor se tinha mexido ou se libertado das entranhas da merda humana. O corpo tombado sobre o balcão dava um requinte a todo aquele encanto da morte despropositado, selvagem, desconexa, aquela morte que ao fim ao cabo nem morte nem homicídio foi. Não havia qualquer intenção inerente aquilo, nem uma vontade mínima de ver se o vidro realmente cortava pele humano, apenas uma necessidade de comprovar que se encontrava vivo. Colar já nada era. Era apenas um solar que deambulava cumpria horários de todo o tipo a sua vida não era vida era tempo, era controlo, era rigidez, o inverso do que aquilo com que sonhara na sua juventude. E foi a cara do velho ao balcão e o sangue a escorrer-lhe pela mão que o fez vibrar novamente com a vida, e não com a morte.
----
Acabara de arrumar a mala, a sua cidade era perto da fronteira, era a cidade de Alcab, do país de Nopu. Um país pequeno com uma imensa costa fazendo apenas fronteira com outro, a Ronia. A sua ideia era atravessar a fronteira a pé, não lhe apetecia ir já para a prisão agora que descobrira a vida. Decidiu mandar-se na incerteza, de atirar-se para uma vida em que não há o controlo do tempo, decidiu explorar aquilo que perdera.
Depois de feita a mala apenas com o necessário saiu porta fora, inspirou mais uma vez o ar e saiu em direcção a Ronia que a pé deveria ficar a umas duas horas e meia.
----
No bar a polícia tinha acabado de ser chamada por um transeunte que ia no passeio. Quando chegou ao local uma onda mista de pânico, estranheza, surrealismo e loucura apoderara-se deles. As até então estátuas transformaram-se em macacos, pulando de mesa em mesa, rindo que nem hienas badalhocas e covardes do morto em cima da mesa.
Quando se aperceberam que tinham companhia começaram-se a aproximar com uma cara de curiosidade dos dois agentes da polícia. Ao se aperceberam que eram da mesma espécie, começaram a enroscar-se a eles e a deitarem-se no chão. Estavam cansados depois de tanta gritaria, a polícia sem saber o que fazer telefonou a pedir uma carrinha para os apreender e levar para um hospital psiquiátrico.
Abandonou o bar e continuou sossegadamente pela rua, com a mão ensanguentada. Colar sorria, inspirava o ar fresco da noite ainda com resquícios de fumo dos carros do final da noite. A cabeça dele era como um vazio onde só apenas a imagem das estátuas no bar a preenchia. Humanos que ficam estagnados, que ficam sem pensar, sem se mover, de olhos arregalados, boca aberta, garganta inchada e tão estúpidos quanto um galinha.
Dava-lhe vontade de rir tudo isto, e mais vontade daria se visse que no bar ainda nenhuma reacção ao homicídio tinha sido tomada, ainda tudo estava na mesma, nem um dedo tinha mudado de posição, nem uma gota de suor se tinha mexido ou se libertado das entranhas da merda humana. O corpo tombado sobre o balcão dava um requinte a todo aquele encanto da morte despropositado, selvagem, desconexa, aquela morte que ao fim ao cabo nem morte nem homicídio foi. Não havia qualquer intenção inerente aquilo, nem uma vontade mínima de ver se o vidro realmente cortava pele humano, apenas uma necessidade de comprovar que se encontrava vivo. Colar já nada era. Era apenas um solar que deambulava cumpria horários de todo o tipo a sua vida não era vida era tempo, era controlo, era rigidez, o inverso do que aquilo com que sonhara na sua juventude. E foi a cara do velho ao balcão e o sangue a escorrer-lhe pela mão que o fez vibrar novamente com a vida, e não com a morte.
----
Acabara de arrumar a mala, a sua cidade era perto da fronteira, era a cidade de Alcab, do país de Nopu. Um país pequeno com uma imensa costa fazendo apenas fronteira com outro, a Ronia. A sua ideia era atravessar a fronteira a pé, não lhe apetecia ir já para a prisão agora que descobrira a vida. Decidiu mandar-se na incerteza, de atirar-se para uma vida em que não há o controlo do tempo, decidiu explorar aquilo que perdera.
Depois de feita a mala apenas com o necessário saiu porta fora, inspirou mais uma vez o ar e saiu em direcção a Ronia que a pé deveria ficar a umas duas horas e meia.
----
No bar a polícia tinha acabado de ser chamada por um transeunte que ia no passeio. Quando chegou ao local uma onda mista de pânico, estranheza, surrealismo e loucura apoderara-se deles. As até então estátuas transformaram-se em macacos, pulando de mesa em mesa, rindo que nem hienas badalhocas e covardes do morto em cima da mesa.
Quando se aperceberam que tinham companhia começaram-se a aproximar com uma cara de curiosidade dos dois agentes da polícia. Ao se aperceberam que eram da mesma espécie, começaram a enroscar-se a eles e a deitarem-se no chão. Estavam cansados depois de tanta gritaria, a polícia sem saber o que fazer telefonou a pedir uma carrinha para os apreender e levar para um hospital psiquiátrico.
Pano para tirar a panela do fogão
As cores soltaram-se
caíram esbarrando num chão imenso,
tentei apanhá-las antes do embate
Mas em vão.
Monocromático, tudo monocromático!
Até o bater do coração se tornou monocromático,
As palavras passaram a ser preto e branco.
O sorriso estampado na minha cara,
Nada era, apenas um preto e um branco,
O vazio de cores de ideias encheu-me a cabeça,
A estupidez e a anomalia libertina foderam-me por trás.
Estava possuído e excitado analmente pela heroína da palhaçada!
Fiquei sem nexo, sem sentido, embasbacado e penetrado,
Mas depois do climax as cores reapareceram,
Mais baças, mais frias que nunca, e como que num Inverno
Senti-me isolado e rodeado pelo frio.
Fora abandonado depois de uma penetração.
André Ventura
26 de Outubro de 2008
( Iasi - Roménia)
caíram esbarrando num chão imenso,
tentei apanhá-las antes do embate
Mas em vão.
Monocromático, tudo monocromático!
Até o bater do coração se tornou monocromático,
As palavras passaram a ser preto e branco.
O sorriso estampado na minha cara,
Nada era, apenas um preto e um branco,
O vazio de cores de ideias encheu-me a cabeça,
A estupidez e a anomalia libertina foderam-me por trás.
Estava possuído e excitado analmente pela heroína da palhaçada!
Fiquei sem nexo, sem sentido, embasbacado e penetrado,
Mas depois do climax as cores reapareceram,
Mais baças, mais frias que nunca, e como que num Inverno
Senti-me isolado e rodeado pelo frio.
Fora abandonado depois de uma penetração.
André Ventura
26 de Outubro de 2008
( Iasi - Roménia)
Monday, September 08, 2008
O Anjo que nunca fodeu
Vejo o fogo,
As asas e os pés,
A auréola e os cornos espetados em mim.
A boda de prata dos 5 meses,
O divórcio de um noivado que não se cumpriu,
De uma lealdade sem regras.
Deixara-me andar assim à deriva,
Deixei-me perder assim no mar,
Quis ter auréola e aguentar os cornos.
Quis ter auréola quando já me encontrava no inferno.
As chamas que consumiam todo o meu corpo de papel,
Todo o meu corpo-brinquedo.
Peço mais um copo, e sem querer parte-se.
Tomba-se no meu corpo de papel, e lá fico como um anjo que nunca fodeu.
As asas e os pés,
A auréola e os cornos espetados em mim.
A boda de prata dos 5 meses,
O divórcio de um noivado que não se cumpriu,
De uma lealdade sem regras.
Deixara-me andar assim à deriva,
Deixei-me perder assim no mar,
Quis ter auréola e aguentar os cornos.
Quis ter auréola quando já me encontrava no inferno.
As chamas que consumiam todo o meu corpo de papel,
Todo o meu corpo-brinquedo.
Peço mais um copo, e sem querer parte-se.
Tomba-se no meu corpo de papel, e lá fico como um anjo que nunca fodeu.
Tuesday, June 03, 2008
Turvado
Que bom banhar-me em águas lamacentas,
Turvas,
Lixiviadas,
Obsoletas e a cheirar a merda.
Quanto mais se rasteja mais se quer rastejar,
Cada vez menor será a queda,
E eu continuo a rastejar
Cada vez com mais paixão.
Continuo com as norsas dos dedos em carne viva,
Delicio o chão imundo com a lingua já toda rasgada
De tanto corte.
Rastejo e cada vez gosto mais,
Mas muitas vezes gostaria de ver o céu mais perto,
Mas como muitos homens vivem numa sociedade que lhes enoja,
Eu rastejo nesta vida castanha e pestilenta,
Até que o céu se aproxime um bocadinho mais.
André Ventura
(4/06/2008)
Turvas,
Lixiviadas,
Obsoletas e a cheirar a merda.
Quanto mais se rasteja mais se quer rastejar,
Cada vez menor será a queda,
E eu continuo a rastejar
Cada vez com mais paixão.
Continuo com as norsas dos dedos em carne viva,
Delicio o chão imundo com a lingua já toda rasgada
De tanto corte.
Rastejo e cada vez gosto mais,
Mas muitas vezes gostaria de ver o céu mais perto,
Mas como muitos homens vivem numa sociedade que lhes enoja,
Eu rastejo nesta vida castanha e pestilenta,
Até que o céu se aproxime um bocadinho mais.
André Ventura
(4/06/2008)
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