
Sem titulo de Luís Henriques (www.fotografia-na.net)
Era uma vez
Como pensamento vago
Debruçado no horizonte
E suportado
Por um punho cerrado,
Como raio de luz
Iluminando
A cidade adormecida,
Como alma imaculada
Caminhando sobre o fogo
De rosas,
Vem o dia…
O dia,
Em que o homem se ergue,
Em direcção à labuta.
De olhos semicerrados
E coração adormecido
Regará a comida
De outros,
Trabalhará uma vida
Para a sua família,
Chegará a casa
Como ser de lama
Erguido pelo cansaço,
Será sempre o homem
Que ninguém conhece,
Com vestes invisíveis
E passos imperceptíveis,
Será o homem
Que amará o mundo
Sem ser amado,
Será o homem
Que alimenta o mundo
Sem ser alimentado.
E a sua mulher
Todos os dias o espera
Na cozinha
Com a mesa
Meticulosamente ornamentada,
Será ela
Que lhe servirá a sopa
Um pouco insonsa
Por falta de dinheiro.
Mas não há melhor
Do que sopa com amor.
Será ela que à noite
Adormecerá
Os seus inocentes filhos
Com contos contados
Por uma voz de sereia.
(Como só uma mãe sabe)
Para que as crianças
Sonhem
Com um futuro diferente!
André Ventura
21/09/2005
